Autoapresentação Ana Piratelli
1. Canto: sempre tive um brilho nos olhos por Cantar. Canto
sem técnica desde o Ensino Médio, gravando vídeos meus e depois assistindo-os
para escutar minha voz, perceber se melhorei, etc. Nessa época só cantava para mim.
No primeiro semestre do curso fiz Voz I com o Iain e tive de cantar na frente
da turma. Saí do armário. A partir daí comecei a acreditar mais em minha voz e
a explorá-la a céu aberto: fiz um semestre de aula de canto para musicais na
Escola de Música, participei na “Segunda Edição” do Cantigas Boleráveis, fiz
dois trimestres de canto lírico no Alub. Canto. Digo que sem técnica, pois
mesmo com essas aulas, sinto que não entendo nada de técnica vocal. Não tenho
plena consciência do que estou fazendo quando canto. Também acho que canto
errado, que me machuco nesta empreitada. Mas assim, a voz sai e eu gosto dela. Eu canto sim...
Acordeon: Tenho um acordeon de 32 baixos que toco
razoavelmente razoável. Comprei no final de 2014 e no primeiro semestre de 2015
fiz aula com o Sivuquinha no Clube do Choro enquanto concomitantemente o
utilizava com minha personagem em Maria do Caritó. Ou seja, sei umas
musiquinhas, sei embromar, aclimatar, compor com ela em uma peça, cantar usando
ela: dá para usar pro teatro. Não faço concertos, não sou acordeonista.
Atualmente o crescimento e relacionamento eu+ela está bem mais lento e
distante, mas ainda às vezes nos divertimos juntas e damos mais alguns passos.
Pífano: Tenho um faz tempo, e sei tocá-lo bem-bem menos do
que o acordeon.
Tenho também uma flauta de pan desafinada que não sei tocar.
E uma flauta doce que só sei Asa Branca.
2. Palhaço: me iniciei em agosto de 2013 no Galpão do Riso
com o João Porto Dias. Minha palhaça nasceu, a Lady Abajour. Juntamente com
algumas outras experiências de meu caminho, este foi um acontecimento decisivo
em minha vida. Depois da iniciação, me afastei do estudo direto do palhaço, no
entanto, este continuou em atividade indiretamente permeando minha vida: no
teatro, na performance; palhaça sem o nariz. Descobri a comicidade da
exposição, sendo palhaça sem nariz em performances autobiográficas nas aulas de
Simone Reis. No 2º de 2015, em minha mobilidade no Recife, peguei uma matéria sobre
palhaço; e semestre passado voltei a estudar o palhaço com João-que-iniciou-me.
Performance: Desde que me encontrei com Simone Reis, no
1º/2014, em Interpretação 4, tenho uma conexão e curiosidade sobre a linguagem.
Isto me concedeu performances autobiográficas que possuo na
manga-do-meu-coração. Desde então venho trabalhando no sentido de um talvez-aprofundamento de uma linguagem pessoal-ridícula-ruim-clownesca na arte da performance.
Audiovisual: Já atuei em três curtas acadêmicos e fui
figurante em dois longas profissionais.
3. Falo francês fluentemente, inglês razoalvemente. Sei
jogar tênis, nadar e andar de patins.
4. “Bruscamente, no
verão passado”, de Tenessee Williams.
Me encanta as imagens que suscita.
5. “Ser criativo: o
poder da improvisação na vida e na arte”, de Stephen Nachnamovitch (págs.
27 a 59).
Este texto me inspirou épocas atrás a encarar o meu estudo em teatro, em seus múltiplos momentos, como divertimento. A brincadeira e o divertimento como modo de conduta. Na vida e na arte.
Este texto me inspirou épocas atrás a encarar o meu estudo em teatro, em seus múltiplos momentos, como divertimento. A brincadeira e o divertimento como modo de conduta. Na vida e na arte.
“Experiência e
alteridade em educação”, de Jorge Larrosa.
Na
época, mudou radicalmente a forma de eu encarar os acontecimentos vivenciais, o
acontecimento teatral estando contido dentro destes.
Foi uma experiência ler este
texto sobre a experiência. Por isso marcou...
6. “Salina: a última
vértebra”, do Amok Teatro.
Primeiramente,
a força que aquelas pessoas trouxeram para o lugar. Neste espetáculo, teatro e
espiritualidade estavam intrinsecamente conectados. A conexão daquelas pessoas
com suas raízes ancestrais africanas e como trouxeram para a cena tal conexão
concedia força e profundidade ao espetáculo.
Ademais,
figurinos horrendamente lindos, música encantadora com instrumentos que jamais
vi.
Resumindo:
Todos (ou a maioria d’) os elementos da encenação muitos bem trabalhados e
entrelaçados, e a presença de uma força maior em cena.
7. “Maria do Caritó”,
de Newton Moreno.
“Essa Noiva Ex-Defunta
é danada pra danar, morreu e reviveu, vem agora artazanar” (trecho extraído de pedaço da música de abertura da peça que não participou da peça).
Na peça de Interpretação e Montagem com Alice Stefânia, fui a Noiva Ex-Defunta. A experiência da montagem do espetáculo foi maravilhosa e deliciosa. Alice conduziu o processo com carinho e abertura, organizando o processo em dois momentos: o primeiro um mergulho no universo da peça, e o segundo a montagem da peça. Tendo passado pelo primeiro, o segundo aconteceu de forma fluida e tranquila (para mim).
8. - Não gosto de uns textos difíceis e sérios, do tipo
“Bruxas de Salem”, de Arthur Miller e “O Interrogatório”, de Peter Weiss, que
levantam de cara na primeira leitura a bandeira do estudo de mesa que vai durar
anos. Não gosto de temas demasiados sérios. Gosto de universos líricos-oníricos,
onde podemos viajar nas ideias, nas composições. Textos que não fechem, mas sim
aqueles que sejam trampolim para vôo onírico da sua
imaginação-composição-criação. Texto-base-trampolim, e não texto-fim.
Gosto, também, especialmente, de textos que pendem para o
cômico. (Maria do Caritó pode ser um exemplo)
- Um processo com pessoas abertas para as propostas dos outros, em sua multiplicidade de
tesões e ideias-fantásticas; ambiente onde se testa antes de descartar
possibilidades; onde não há censura: ambiente do “pode trazer, vai quê!”.
- Qualquer coisa que
dê tesão coletivo e que tenha a probabilidade de sustentação de tesão no tempo.
Qualquer coisa que me dê tesão.
Eu apaixonada pelo
processo.
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