AUTOAPRESENTAÇÃO YURI ROCHA


1-
Na minha infância, nasci em 1995, gostava muito de brincar com meus primos. Me lembro vagamente de um dia dos pais em que montei minha primeira peça de teatro com meus primos na casa da minha avó. E desde novinho ia muito de graça ao teatro graças a um Tio meu que trabalha com cultura e sempre me descolava alguns ingressos. Até os 14 anos frequentava a igreja, era catequista, fazia teatro na igreja e sempre me responsabilizei por dinâmicas alternativas para alcançar pessoas. Aos 15, 1º ano do ensino médio, assumi o papel de diretor da Ópera do Malandro (montagem amadora feita pela minha turma em sala de aula, num projeto chamado PAS ENCENA, que seriam textos dramáticos propostos pelo edital de ingresso na UnB, encenados por alunos. Valia nota), montei o roteiro com uma amiga e ao iniciar os ensaios, não gostava do rapaz que estava fazendo o Duran. Peguei o papel e substitui ele. Foi incrível. Ano seguinte fiz o Dom Casmurro em Dom Casmurro de Machado de Assis, participei do processo de escrever um roteiro dramático para a nossa encenação. E foi quando muita gente me viu, e falou para eu fazer Teatro. No ano seguinte também participei do festival e sempre me engajando em diversas áreas (produção, roteiro, direção, figurino, cenografia). Sempre me envolvi muito. Meu pai inclusive falou que tinha talento, e fui parar na Adriana Lodi. Fiz um tempo de Adriana e depois alguns workshops. O teatro passou a mudar minha forma de pensar e viver, e comecei a enxergar mais possibilidades no meu universo, se eu investisse nisso.
Aos 14 anos, também me encontrei com o piano da minha prima. Delicioso encontro, que perdurou até hoje, comprei um teclado e fiz 1 ano de aula no Guará. Treino sozinho também, vou atrás dos meus próprios métodos, mas também prezo por um mínimo de teoria. Gosto muito de música e desde o ensino médio passei a pesquisar mais minhas habilidades musicais. Hoje canto, faço um falsete, toco teclado e brinco com percussões. Música é minha praia. Estou sempre descobrindo meu corpo, sou meio destrambelhado, e sempre estou aprendendo a dançar. Na escola, eu sempre dançava quadrilha.
2-

Quando pirralho, ia muito ao circo com a minha mãe. Hoje em dia, vou assistir amigos e a festivais como o Fest Clown, que acontecem e circulam em Brasília. Vou sempre ao Cena Contemporânea assistir os espetáculos. E gosto da tradição de ir ao bar tomar uma cerveja, ir a shows produzidos na cidade, principalmente quando suas locações são em locais como: museu nacional, parque da cidade, ou em qualquer local público. Sou a favor de qualquer ocupação do espaço público nessa cidade deserta, inclusive áreas livres. Eventos do público LGBTT, como a parada Gay.
3-

Tenho avançado em Inglês pela Cultura Inglesa, desde 2013. E inclusive PET Certificate pela Cambridge University. Amo Inglês. Sempre fucei bastante as tecnologias, e com muita facilidade e habilidade. Sou um pesquisador da Internet e sempre consigo formas de conseguir realizar o possível com a minha máquina. Mas em questões de edição, sempre me joguei em trabalhos na escola, na UnB pra mim e pra amigos, e até mesmo de brincadeira com os amigos. Porém não me considero uma pessoa incrível em edições, mas estamos sempre aprendendo. Adoro cozinhar, aprendi com a minha mãe - que desde sempre me inspirou muito e sempre esteve ao meu lado - e hoje uso a internet pra me aprimorar. Faço bolos, pães, pratos salgados, sobremesas, tortas, massas, laricas de todo tipo.

4-

Perseguição e Assassinato de Jean-Paul Marat Representado Pelo Grupo teatral do Hospício de Charenton Sob a Direção do Marqués de Sade (1964 - PETER WEISS)
A peça começa com o distanciamento de que todos que assistem sabem que é um Teatro. Não há rodeios ou Teatro para forjar um tempo presente. Se é o presente. A peça é contada pelos pacientes de um asilo e retrata um suposto ponto de vista de Marqués de Sade sobre a revolução francesa. Fala sobre o conflito de ideologias, levanta a loucura, o sádico e, claro, a revolução. A história de uma revolução, nos tempos de hoje, no país que vivemos, vejo como uma cereja em qualquer texto. Mas enfim, o texto é genial.

5-
a. FERRACINI, Renato - Ensaios de Atuação - São Paulo, Perspectiva: FAPESP, 2012
p.p.:27 a 32.
Fala que atuar é como domar um leão. E esse leão é o nosso corpo. Precisamos ser samurais no teatro, ninjas, atletas afetivos, fortes, receptivos e equilibrados com as energias que se somam no fazer teatral.

b. LARROSA, Jorge - Experiência e Alteridade em Educação - Revista Reflexão e ação, Santa Cruz do Sul, V. 19, n2, p. 04-27, jul/dez 2011.
O texto fala da experiência como "isso que me passa", pontuando os aspectos que a experiência proporciona, reflete na vida do ser humano. E claro, serve para o teatro.
c. JUNG, Carl - O Homem e seus símbolos - Harper Collins BR, 2008.
Filosofia e religião Jungiana que vai dissertando sobre as razões da vida, do ser, do pensamento, do ego, do gênero, da insegurança e dos sonhos. Os arquétipos formam o ser e o ser também forma os arquétipos. A questão do inconsciente coletivo também é reforçada quando ele fala de nossas memórias ancestrais. Marcas do sempre.
6-.

O NOVO ESPETÁCULO, TUDO ESTÁ A VENDA - JULHO 2016 - GRUPO TRIPÉ
Espetáculo aonde atores brincam com intimidade. Investem numa dramaturgia própria baseada na trajetória do herói e com isso, dentro dessa história autoral, apresenta uma relação com a atualidade. A peça é um teatro performático que coloca a plateia em vários lugares, usa a plateia pra formar todo o contexto em que eles imergem, fazendo a plateia imergir também. E o mais interessante é assumir que estão vendendo um produto, vendê-lo e inclusive leiloar uma cena. Teatro com cara de independente, despojado, atual, feito com disposição, vontade e completamente mutável.


7-.

MARAT, SADE, CORDAY E O RESTO - UMA MANICÔMICA TRAGÉDIA PANTOMIMÁTICA - Cecília Borges, Interpretação e Montagem (julho 2016).
Foi meu mais recente trabalho realizado na Universidade de Brasília. O texto da peça em si é o que mais me instiga, é um texto que montado no Brasil pode se fazer toda a diferença. Enxergo esse enfrentamento da Antropofagia que desmonta o desejo do ser em tudo o que contém no frasco da vida. Quando explode, vira samba, é poderoso! Primeiramente fiz o personagem Coulmier, que seria o diretor do Hospício Careton dos bonobos. Além disso, fiz parte da sonoplastia quase que integral com o Teclado. Fiz técnico de montagem e desmontagem de cenografia, palco e som e também produção. Gostei muito da experiência e oportunidade de enxergar, mesmo que não tão perto quanto queria, um tipo de teatro que me agrada. Vejo em muitos processos da UnB um desgaste de algumas pessoas graças a não participação de outras. Esse desequilíbrio chegou a me desgastar, e vi alguns parceiros derrotados no fim do processo. Mas pra mim saiu tudo bem.
8-

Quero trabalhar com o público de alguma forma, envolver todos numa dramaturgia revolução antropofágica de gêneros, índios, transgêneros, negros, feios, gordos, velhos crianças. Quero horizontalizar a visão do meu espectador. Não quero ser maior que ele. Gosto de recursos como trabalho de projeção e quaisquer tecnologia que possa conversar com o espetáculo, também como uma sonoplastia bem feita, se possivelmente com uma banda ou podemos chamar um DJ. Mas acho música essencial. Acredito muito no teatro do Encontro. O meu sonho de sempre será fazer revolução. Se pensarmos direitinho cada um consegue fazer a sua revolução. Pode ser até uma revolução no futuro.

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