Autoapresentação Nathalia Azoubel

1- elencar e comentar habilidades básicas e experiências em artes ( canto, dança, pintura, direção, instrumentos musicais, etc)

Tudo começou quando no meu ensino fundamental, entrei para a Escola Parque. Lá tive aulas de desenho, costura, pintura, dança, coral e esportes. Tive ótimos professores na escola que me incentivavam muito. Desde então, passei a desenhar todos os dias. Meus pais sempre me influenciaram muito também, junto as minhas irmãs. Depois deixei o desenho um pouco de lado e fui para a dança contemporânea. Em seguida, larguei a dança e fui para o canto coral. Gostei muito de cantar e fui aprofundar fazendo os cursos pontuais da Escola de Música de Brasília. Lá estudei canto coral lírico e pude até fazer um solo. Quando entrei para o ensino médio, participei também do coral da escola em que quase fizemos um musical. Não deu certo por alguns motivos. Mas fiz uma pequena apresentação com meus amigos por conta própria onde encenávamos uns musicas da Broadway. Nesta época já tinha entrado para um curso de corte, costura e modelagem. E fiz o figurino dos 6 personagens do musical. Depois comprei uma câmera fotográfica profissional e fiz um curso básico. Entrei em Artes Cênicas na UnB e comecei a estudar, trabalhar e entender meu corpo. Gostei muito das disciplinas de corpo, apesar de ter muita dificuldade com algumas coisas e pude me experimentar como atriz, pois nunca tinha feito nem uma oficina de teatro. Peguei algumas disciplinas de música também, para aprofundar o canto, teoria musical e técnica de expressão vocal.
Entrei em Artes Cênicas porque soube das disciplinas de cenografia (maquiagem, figurino, cenário, iluminação e etc), que foi o que mais me interessou. E na prática me dei muito bem, pois tenho facilidade para desenhar, costurar, maquiar, fotografar e etc. Gostei muito de maquiagem, figurino e cenário. Talvez seria o que eu realmente gostaria de trabalhar, junto a fotografia de peças teatrais, a música e o teatro.

2- elencar e comentar tradições artísticas com as quais têm experiência ( teatro de animação, circo, palhaço, etc)

Desde que nasci frequento o Encontro de Cultura Popular de São Jorge, na chapada dos Veadeiros, em que tive muito contato com a cultura popular dos nativos, dos calungas, dos indios e da natureza.
Meus pais sempre gostaram muito de arte e sempre estive por perto dela também através da música.

3- Elencar outras habilidades não relacionadas diretamente com seu trabalho de ator (computadores, vídeo, línguasetc)

Acho que quase tudo pode ser relacionado com o trabalho de ator. Mas acho q o mais distante, e ao mesmo tempo não muito assim, a fotografia sempre esteve comigo. Decidi que queria uma máquina. Vendi bombom no ensino médio, e consegui comprar minha máquina profissional. Desde então comecei a fotografar várias coisas. Mas o que eu mais gostava era de fotografar a natureza. Principalmente o cerrado. Quando entrei para o Teatro, comecei a fotografar algumas peças de amigos e percebi que também era uma área da fotografia bem interessante. Hoje praticamente só fotógrafo peças. E assim, comecei a entender também de edição de fotos e alguns programas.
Confesso que tenho um pouco de preguiça com computador e vídeos.
Desde o ano passado também, comecei a fazer um curso de inglês, pois nunca tinha estudado pra valer antes. Comecei do zero e pretendo me formar.

4- elencar e comentar textos teatrais que você gostou e quais as razões.

Gostei muito de ter conhecido a peça Mãe Coragem e seus filhos, de Bertolt Brecht. O que mais me interessou, além da história em si, é a crítica implícita na peça, não só a guerra e a religião, mas aos condicionamentos do ser humano. Até onde somos capazes de ir para nossos interesses, ficando cego para todo o resto. Uma mãe que só pensa em lucrar com a guerra fazendo negócios com soldados, não se importando com nada, nem com seus filhos. Ela acaba perdendo todos seus filhos para a própria guerra que ela pensa estar lucrando. É uma peça que me faz questionar o quanto o homem é capaz de fazer tudo para estar no poder, para ter dinheiro. O quanto o homem é egoísta a ponto de se dizer único, com sua verdade absoluta, com sua religião, com sua fé e fazendo guerras para ver quem manda e quem é melhor. Essa peça, mesmo sendo passada no contexto da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), é totalmente relevante até os dias de hoje, pois o ser humano continua o mesmo.
Outra peça que me encantou, foi Por Elise, de Grace Passô. É uma peça muito simples com um texto maravilhoso. Conta cenas de um cotidiano, mostrando a contradição das relações humanas, a contradição de sentimentos e o apego a proteção, a segurança. Um dos personagens que mais gosto é o Cão, que late palavras, mas não são quaisquer palavras. São sempre frases e palavras que ironizam e sacaneiam com as contradições e defeitos dos outros personagens. 


5- elencar e comentar textos dissertativos (teorias, críticas, filosofia, história, etc) que você, gostou e quais as razões disso.

Assim que entrei na UnB, li o livro Criatividade - Liberando Sua Força Interior, do Osho. 
Foi um livro que abriu minha cabeça quanto a muitas coisas da vida. Esse livro ensina a pensar fora dos padrões estabelecidos e ao mesmo tempo, nos anima a aprender a conviver com eles. É como um livro de autoajuda, mas com uma simplicidade enorme. O que mais foi importante pra mim foi entender o quanto nós seres humanos vivemos pensando no passado, no que podia ter acontecido, e no futuro, no que ainda vai acontecer. E assim, deixamos de viver o momento presente, onde deveríamos estar totalmente entregue e conectado com o que estamos fazendo e sendo, aproveitando ao máximo o presente. Eu que sou muito ansiosa, foi maravilhoso entender que a ansiedade é puramente não estar no momento presente, não se organizar e só estar pensando no futuro. Quando estamos conectados inteiramente ao presente, podemos exercer ao máximo da nossa criatividade, podendo ao mesmo tempo, relaxar e meditar.


Outro artigo que mudou minha vida foi o artigo de Jorge Larrosa Bondía: Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Larrosa expões outros conceitos sobre experiência, em que a técnica/ciência e a teoria/prática não valem nada sem a experiência individual. Ou seja, não adianta só estudar, ler e entender tudo sobre algo que você não experimentou e só está tirando conceitos e ideias de outras pessoas, de informações nos dadas experimentadas por outros. Precisamos passar por deterinada coisa para aí sim termos a nossa experiência. Todos os meios de comunicação são veículos de não existência para Larrosa. Hoje com o homem moderno, várias coisas são inimigas da experiência, como a falta de tempo, o trabalho e a escola por exemplo. A ideia de que quanto mais informação temos, mais sabemos, para Larrosa não é bem assim. Só com a experiência autentica saberemos mais e iremos parar de reproduzir opinião doutros.

6- comentar um espetáculo que você gostou e quais as razões disso. O que te fez ter gostado desse espetáculo.

Um dos espetáculos que mais me chocou foi o Ausência, da cia Dos à Deux, porque gostei de tudo. É uma peça que valoriza muito a imagem como expressão, com apenas um ator e sem palavras. A história se passa num mundo totalmente destruído, em que já está tudo pelo fim, com o racionamento de energia elétrica, escassez de água, falta de ar respirável, obrigando as pessoas a utilizarem máscaras de oxigênio. O ator fica em seu apartamento já totalmente modificado para a sua sobrevivência, um cenário de impecável precariedade. O homem sozinho faz de tudo para a sua sobrevivência, criando máquinas para caçar ratos para comer, um dos últimos alimentos do mundo. Seu apartamento todo é todo feito de canos, uma grande gambiarra para ele conseguir água para sobreviver. Ele tenta de tudo para conseguir água, que é muito difícil. Ele nos faz sentir toda a angústia e o desespero de não ter o que comer e o que beber. O mais chocante ainda é saber que ele tem um amigo, um peixe num aquário com bastante água, que ele muitas vezes o humaniza. Ele em vários momentos tenta arranjar água para seu peixe, mas no final, em um momento de desespero, acaba tomando a água do aquário.
Me encantei com a peça não só pelo cenário, iluminação, figurino e sonoplastia que são maravilhosos, mas também pela interpretação do ator e da história contada. Eu nunca me senti tanto dentro de uma peça como essa. Eu senti sede. Eu senti fome. Senti raiva do ser humano de ver o caminho que estamos tomando e aonde vamos parar. Foi muito emocionante ver a superação, a força e a coragem daquele homem tentando fazer de tudo para sobreviver. Sem falar nenhuma palavra. Apenas com gestos, expressões, ações e uma encenação divina! Gostaria muito de poder assisti-la novamente.

7-Comentar um espetáculo do qual você participou. Informar o que você fez no espetáculo e falar dessa experiência.

 O último espetáculo que participei foi "O Manicômicodrama Pantomimático de Marat, Sade, Cordey e o Resto", da peça teatral Perseguição e Assassinato de Jean Paul Marat de Peter Weiss. Foi resultado da disciplina Interpretação e Montagem, com a orientação de Cecília Borges.
Pude fazer a personagem Leguminho, que era uma doidinha do hospício Bonobos. Foi um processo legal, mas muito difícil pois era uma turma grande, em que nem todos os alunos da turma estavam realmente satisfeitos com a escolha deste texto. Eu particularmente amei o texto. Foi muito bom o processo de encontro dos personagens, pois estudamos a máscara como corpo e o palhaço bufão, dentre outras coisas. Mas além disso tudo, foi um processo difícil porque muitos alunos se desinteressaram muito. Muitos faltavam sempre, chegavam super atrasados e claro, ficavam totalmente perdidos durante os ensaios. Perdemos muito tempo com pequenas coisas todos os dias. E também vi que tudo só andou porque eu uma pequena parte da turma deu a cara a tapa e fez quase tudo. Ajudei no figurino, na maquiagem, no cenário e em algumas músicas. Praticamente era essa parte da turma que puxava o resto pra dentro e que segurava a barra de tudo. Foi legal porque gostei do texto, gostei muito de trabalhar com algumas pessoas que são incríveis, gosto muito da professora e da sua pesquisa, mas poderia ter sido bem melhor se não fosse o desinteresse, a falta de compromisso, a falta de energia e de ajuda da maioria da turma, que se mostraram totalmente imaturos e irresponsáveis para estarem na última disciplina de interpretação do curso.

8- Qual é teu projeto de diplomação dos sonhos, o que você gostaria de fazer na sua formatura.

Adoraria fazer um projeto de diplomação com um texto foda, com pessoas que se entregam, com energia, fé, comprometimento, carinho, responsabilidade, dando o máximo de si, para que assim termos um processo feliz, divertido e proveitoso. Gostaria muito de trabalhar e aprender com pessoas diferentes que só querem somar. O meu projeto de diplomação dos sonhos seria fazer o melhor espetáculo que já fiz, onde todos pudessem ver a importância de cada personagem na peça, onde todos os envolvidos no espetáculo possam por tudo o que mais gostam, onde a cenografia pudesse dizer tanto quanto os personagens, onde a interpretação de todos fosse de se emocionar e cativar a plateia. E ainda transformar  a todos que assistirem para um vida com mais arte, mais amor, sinceridade e felicidade.




Comentários

Postagens mais visitadas