Autoapresentação Aline Hoffert.

1- Meu contato com as artes se deu aos 14 anos e sempre foi voltado para o teatro e consequentemente meu interesse maior sempre esteve na atuação. Recentemente tenho percebido a necessidade de desenvolver outras habilidades que ainda não possuo. Já iniciei aula de dança algumas vezes, mas nunca dei continuidade. Meus planos é voltar para a aula de canto esse semestre e aprender um instrumento de percussão. Meu único contato com a câmera foi através de um curta feito pelo pessoal da Comunicação na UnB. Recentemente comecei a fazer aulas de circo.

2- Já trabalhei com teatro infantil algumas vezes, já tive contato com teatro de bonecos e recentemente comecei a fazer aulas de circo.

3- Gosto da área de figurinos e me interesso muito por produção. Tenho facilidade com as línguas neolatinas e já estudei francês por um tempo (não que eu fale). Entendo um pouco de inglês (bem pouco).

4- Senhora dos afogados – Nelson Rodrigues: A dramaturgia nesse texto é muito bem elaborada, cheia de mistérios que nos envolve  até um desfecho trágico e surpreendente. Gosto da maneira que a personagem Moema vai crescendo no decorrer do texto e como Nelson coloca o uso de máscaras e de personagens em coro. É um texto que ao ler eu consigo criar e dirigir várias cenas mentalmente e penso também que é um texto que lida muito com o simbólico, e talvez isso seja o mais interessante da história.

A Casa de Bernarda Alba – Federico García Lorca: Tenho uma ligação muito forte com qualquer texto escrito por Lorca e foi pelo estudo que tive dos textos dele que resolvi fazer teatro. Gosto da maneira como ele retrata a força da mulher em seus textos. Aqui Bernarda Alba, a matriarca da família, é quase uma tirana e mostra a relação dessa mulher com suas filhas condenadas ao luto. Lorca também é trágico e sempre tem desfechos que eu acho muito interessantes. Gosto da maneira como ele coloca as tradições do povo espanhol nos seus textos e da forma poética e simbólica de escrever.

5- O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder : Esse é um romance que conta a história da filosofia capítulo por capítulo. Além de explicar, questionar e nos apresentar os filósofos e suas teorias ele tem um enredo bem interessante que envolve uma garota de 15 anos que recebe cartas misteriosas, e o conteúdo dessas cartas são questionamentos sobre a natureza e o mundo. Com isso se dá uma introdução à filosofia desde os pré-socráticos até os pós-modernos. É um livro bem interessante tanto no quesito teórico quanto no romance, além de ter uma pitada de suspense que nos faz querer ir até o final do livro pra desvendar o mistério do remetente das cartas. Foi meu livro favorito por muitos anos.

6-  Mistérios Gozosos – Teatro Oficina: Em janeiro desse ano eu estive na sede do Teatro Oficina e assisti o espetáculo “Mistérios Gozosos” que é de fato um espetáculo com tudo o que isso implica dizer. Achei catártico estar naquele espaço e há muito tempo não via um espetáculo tão bom quanto aquele. Foram horas de peça que se passaram sem que eu percebesse. Muita música, muito canto, muita cor. A iluminação e os aparatos cenográficos compunham o palco passarela. Atores apareciam de inúmeros espaços que a plateia nem poderia imaginar, como quando o teto do teatro se abre e a cena acontece com atores pendurados ou quando alguém sai de um alçapão e a cena acontece. Foi realmente muito bonito e bem elaborado, embora eu ache que alguns atores deixaram a desejar na atuação, mas isso não tornou o espetáculo menor, uma vez que visivelmente o foco da direção estava no megalomaníaco da encenação e não propriamente no trabalho do ator. Além disso, vale ressaltar o trabalho da câmera que transmite a imagem em tempo real para os telões. É como se todo o teatro estivesse ocupado, de ponta a ponta, do céu ao chão.

7- Bodas de Sangue :  Participei da montagem desse espetáculo dirigido por Thaís Pupo na cidade de Ribeirão Preto em 2009-2010. Esse foi meu primeiro contato com Federico García Lorca e foi a partir dessa montagem que eu decidi fazer teatro como profissão. Nesse espetáculo eu fazia 3 personagens: A vizinha, a Mendiga e um dos lenhadores. Tínhamos figurinos todos criados com base na cultura espanhola e algumas coreografias de dança flamenca. A sonoplastia era feita ao vivo pelos atores além dos cantos e das lamentações. Estávamos sempre em cena. A criação da Mendiga foi particularmente complicada, pois exigia um trabalho físico maior, uma vez que é uma personagem numa área mais surrealista da peça e que encaminha outro personagem até a morte. O mais interessante além do trabalho corporal pra essa personagem foi o trabalho com o texto, que por ser muito poético precisava de uma clareza na fala muito grande para se fazer inteligível. Foi um trabalho muito importante pra mim, tanto para estudo como quanto criação e guardo um carinho enorme por esse projeto que despertou em mim a vontade de me profissionalizar e de cursar Artes Cênicas.


8- Não tenho em mente um texto específico, mas gostaria de trabalhar com músicas feitas para o espetáculo, cada um com um instrumento, além de coreografias e acrobacias. Gosto muito de espetáculos com trabalho de coro, além de figurinos bem feitos e uma boa dinâmica entre os atores. Gostaria de trabalhar também com câmera, tanto em atuação para a câmera quanto em teatro filmado, que é algo que Ariane Mnouchkine faz muito bem, por exemplo. (Se ela pudesse dirigir minha diplomação eu confesso que não acharia ruim, já que é a diplomação dos sonhos...). 

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