Autoapresentação - João Miguel
1. Antes de me aproximar do teatro, encontro que aconteceu em 2012, já me relacionava com a música desde os onze anos, quando ganhei meu primeiro violão. Hoje eu toco instrumentos variados, de percussões convencionais e alternativas à instrumentos de corda (violão, baixo, guitarra e cavaquinho) e piano. Quando ainda apenas músico, participei de bandas de diferentes gêneros, em diferentes idades, então pude colecionar influências e saberes quanto à identidade musical, porém apenas com as reflexões vindas do campo teatral, que estão diretamente ligadas à reflexões sobre a arte, é que pude desenvolver mais profissionalismo, poética e transcendência do lugar de percepção ao qual eu vinha dialogando quanto criador. Cheguei ao teatro através do encontro com o Grupo Tripé, que já se unia um ano antes da minha chegada. O encontro se deu através da necessidade de um músico para o processo que eles formavam na época, o seu primeiro espetáculo Entre Quartos, e as linhas se encaixaram. Tive a oportunidade de criar a minha primeira trilha sonora para teatro e me apaixonei. Me apaixonei pela construção das linguagens funcionando juntas. A partir daí, comecei a me nutrir desse costume de musicar trabalhos, pensar composições mais teatrais, enfim, combinar mais os dois elementos artísticos. Pude desenvolver outros trabalhos de direção e criação musical dentro e fora do departamento, como o espetáculo Mundaréu (Direção - Alice Stefânia) de textos do autor Plínio Marcos. Nós tivemos inclusive a oportunidade de apresentar no Cena Contemporânea de 2014. Hoje componho inteiramente o Grupo Tripé que completou 4 anos esse ano e estamos em temporada com o nosso segundo espetáculo, O Novo Espetáculo - Tudo Está á Venda. O trabalho viabiliza a teatralidade do encontro, acima de tudo, do brincar, do aproveitar o agora.
O que me levou a estudar artes cênicas foi a vontade de me localizar quanto artista multifacetado, aprimorar o meu senso de intérprete, me desenvolver quanto ator e exercitar a criatividade; uma vez que anseio por trabalhos de multi linguagem, me interesso por vez ser um artista criador no maior número de âmbitos artísticos possíveis. Gosto e admiro bastante as artes plásticas e a dança, costumo desenhar por divertimento e dançar também, porém são os lugares que eu menos visito mas não impeço as aventuras.
2. Também em 2012 me aproximei da cultura circense. Comecei a treinar malabarismo, me apresentar nas ruas de Brasília pra tirar um troco. Logo de cara, percebi que não poderia estar ali sendo apenas malabarista, até porque eu ainda era bem ruim. Então comecei a me exercitar quanto palhaço, para que as apresentações se tornassem números onde a técnica do malabar não fosse o principal elemento e eu não fosse "avaliado" apenas como malabarista. Foi uma experiência bem interessante dentro da pesquisa do teatro de rua, o jogo que culmina na relação com o outro e a descoberta e o estudo do meu palhaço. Em 2013 e 2014 me apresentei no Fest Clown juntamente com a Trupe Raiz do Circo, composta pelo Palhaço Mandioca Frita e seus filhos. Nesse trabalho eu era responsável por alguns números e fazia a trilha ao vivo no picadeiro. Apresentávamos também aos fins de semana no Parque Ana Lídia.
Outra aproximação cultural que acredito ter é com a capoeira, que pra mim é dança, é luta, é música, é arte. Pratiquei durante seis anos da minha vida e pude agregar bastante as influências corporais da capoeira à minha caminhada no teatro.
3. Gosto do trabalho de criação e edição de material audiovisual, porém estou no exato momento de começar a me aprimorar. Estou sem um computador a um tempo e talvez em breve eu dê inicio nas atividades que almejo nesse campo. Me dou bem com computadores.
4.
a) Perseguição e Assassinato de Jean Paul Marat (Peter Weiss)
Gosto do texto pelo cunho político-social, pelas músicas e por ser totalmente atual, considerando as dadas circunstâncias não só do Brasil mas do mundo. O texto também lida com o questionamento dos tratamentos psiquiátricos, os manicômios e o que é loucura, afinal.
b) O Rei da Vela (Oswald de Andrade)
Apesar de ser um pouco verborrágico, adoro a trama e o dilema dos personagens. Um texto que marca uma época e perpetua até hoje. Acontecem críticas quanto aos juros cobrados por empréstimos de empresas privadas e críticas à visão dos Estados Unidos sobre nós e nós sobre eles e ainda sim, com humor e brasilidade.
5.
a) Notas sobre a experiência e o saber da experiência (Jorge Larrosa Bondía)
Amei esse artigo pelo conteúdo, pela franqueza e pelo olhar do autor. O sentido que ele me trouxe quanto ao que é ser perpassado de fato por uma experiência é algo que acentuou a minha vivência quanto artista, quando cidadão e quanto ser humano. No texto ele considera alguns pontos que o homem contemporâneo se utiliza para se desbancar dos reais momentos possíveis a experiência verdadeira. Ele reflete sobre as palavras, difere conhecimento de informação, discuti sobre o tempo e sobre o trabalho. Ao longo do texto ele te exprime a sensação de que o homem contemporâneo é raso e superficial quanto ao que lhe toca sobre aprendizado, evolução e junção de experiências.
b) O homem e seus símbolos (Carl Jung)
Me aproximei desse material primeiro através de artigos que seguidores da psicologia de Jung dispuseram na internet, até que adquiri o livro. Já estou nessa leitura a uns meses, o livro tem bastante informação e é um grande ensinamento sobre símbolos, tradução dos sonhos, mitologia pessoal, relação com o inconsciente, história da humanidade, rituais, tribos, o primitivo do mundo e do homem e bastante cultura. Ainda não conclui o livro, porém é um estudo constante que tenho avançado e incorporado quanto artista e ser.
6. Para dar fim ao juízo de Deus (Teatro Oficina - Zé Celso)
Trata-se de um texto artaudiano, o Zé inclusive montou esse texto acho que em esquema radiofônico nos anos setenta se eu não me engano e retornou esse ano com o espetáculo. Assisti o trabalho no Teatro da Caixa, e considero o espaço não tão proveniente à misticidade do espetáculo. O teatro era bonitinho demais. Porém, o trabalho de audiovisual é bem interessante com projeções de momentos simultâneos mas que em cena, não tem a atenção do público. Cria-se um jogo poético a partir daí. É bastante ritualístico, as músicas são bem desconstruídas quanto à palavra e isso me instiga muito. Palavras desconstruídas, ritmos africanos, samba, tensões, a trilha em si é fantástica. Senti apenas que o trabalho de coro ficou um pouco defasado por questões de estranhamento do espaço. Me pareceu que eles sentiram bem a diferença do Teatro da Caixa pro underground do Teatro Oficina, principalmente porque o coro se relacionava bastante com o público em ações animalescas que não couberam tanto talvez à forma com que o público estava posicionado. Distanciou um pouco a relação na verdade, entre plateia e atores.
7. Vou falar sobre a minha participação no espetáculo Entre Quartos, do Grupo Tripé, o qual sou integrante.
O processo já acontecia a quase um ano entre os três outros integrantes. Vivências, trocas de ideias, experimentações e etc já rolavam, quando se deram conta da necessidade e o próprio querer dos mesmos em se ter música ao vivo. A principio chego ao grupo como músico convidado, nós apresentamos alguns fragmentos do processo em edições do Cometa Cenas. Até a primeira apresentação profissional num teatro, foram dois anos de processo e auto direção do grupo onde concluímos dramaturgia, as músicas foram entrando a medida que se tinha a necessidade (no caso algumas, outras eu já havia composto, bastou escolher mesmo), e por fim éramos quatro personagens em cena. A peça se desenvolvia em dois planos. Um dos planos era os três morando juntos num apartamento, desenrolando a trajetória amorosa desses personagens. O outro plano era o meu personagem se recordando de suas lembranças (no caso, eles) dentro desse mesmo apartamento pronto para se mudar, num último momento de curtição do lugar. Tocando músicas e percebendo coisas do seu passado e a reflexão sobre o amor, a peça vai sendo costurada entre os planos até que as lembranças encaram o próprio ser que as tem, e vice-versa. O processo foi bem gostoso, bem cheio de amor, em busca de se construir maturidade, pois o grupo se deu junto com o próprio primeiro espetáculo. Então tivemos a sensação de germinarmos nosso primeiro filho. Eu pude aprender muito com eles, que já faziam teatro desde antes e eles comigo no sentido musical. Enfim, a troca foi generosa e de lá até aqui já apresentamos outras vezes o espetáculo e no fim nos rendeu um bom produto que nos orgulha completamente.
8. Acredito na potência de grandes grupos, a fortificação do coro, um trabalho musical bem focado e construído. Elementos de audiovisual e iluminação pertinentes, onde se possa elevar a realidade apresentada ao público. Me atém muito o grito político, mas também a comédia e o questionamento do ser. Acredito no teatro transcendental, onde a mensagem realmente chegue a quem assiste, a quem presencia o acontecimento de forma "experiencial" e questionadora. Atribuiria totalmente elementos circenses, a estética clown e acrobacias. Ao mesmo tempo que gosto da linguagem, do texto, gosto da desconstrução do mesmo, e permitir que a poética seja dita com o corpo, algo similar ao Teatro Físico; simbologia e desenhos no espaço.
O que me levou a estudar artes cênicas foi a vontade de me localizar quanto artista multifacetado, aprimorar o meu senso de intérprete, me desenvolver quanto ator e exercitar a criatividade; uma vez que anseio por trabalhos de multi linguagem, me interesso por vez ser um artista criador no maior número de âmbitos artísticos possíveis. Gosto e admiro bastante as artes plásticas e a dança, costumo desenhar por divertimento e dançar também, porém são os lugares que eu menos visito mas não impeço as aventuras.
2. Também em 2012 me aproximei da cultura circense. Comecei a treinar malabarismo, me apresentar nas ruas de Brasília pra tirar um troco. Logo de cara, percebi que não poderia estar ali sendo apenas malabarista, até porque eu ainda era bem ruim. Então comecei a me exercitar quanto palhaço, para que as apresentações se tornassem números onde a técnica do malabar não fosse o principal elemento e eu não fosse "avaliado" apenas como malabarista. Foi uma experiência bem interessante dentro da pesquisa do teatro de rua, o jogo que culmina na relação com o outro e a descoberta e o estudo do meu palhaço. Em 2013 e 2014 me apresentei no Fest Clown juntamente com a Trupe Raiz do Circo, composta pelo Palhaço Mandioca Frita e seus filhos. Nesse trabalho eu era responsável por alguns números e fazia a trilha ao vivo no picadeiro. Apresentávamos também aos fins de semana no Parque Ana Lídia.
Outra aproximação cultural que acredito ter é com a capoeira, que pra mim é dança, é luta, é música, é arte. Pratiquei durante seis anos da minha vida e pude agregar bastante as influências corporais da capoeira à minha caminhada no teatro.
3. Gosto do trabalho de criação e edição de material audiovisual, porém estou no exato momento de começar a me aprimorar. Estou sem um computador a um tempo e talvez em breve eu dê inicio nas atividades que almejo nesse campo. Me dou bem com computadores.
4.
a) Perseguição e Assassinato de Jean Paul Marat (Peter Weiss)
Gosto do texto pelo cunho político-social, pelas músicas e por ser totalmente atual, considerando as dadas circunstâncias não só do Brasil mas do mundo. O texto também lida com o questionamento dos tratamentos psiquiátricos, os manicômios e o que é loucura, afinal.
b) O Rei da Vela (Oswald de Andrade)
Apesar de ser um pouco verborrágico, adoro a trama e o dilema dos personagens. Um texto que marca uma época e perpetua até hoje. Acontecem críticas quanto aos juros cobrados por empréstimos de empresas privadas e críticas à visão dos Estados Unidos sobre nós e nós sobre eles e ainda sim, com humor e brasilidade.
5.
a) Notas sobre a experiência e o saber da experiência (Jorge Larrosa Bondía)
Amei esse artigo pelo conteúdo, pela franqueza e pelo olhar do autor. O sentido que ele me trouxe quanto ao que é ser perpassado de fato por uma experiência é algo que acentuou a minha vivência quanto artista, quando cidadão e quanto ser humano. No texto ele considera alguns pontos que o homem contemporâneo se utiliza para se desbancar dos reais momentos possíveis a experiência verdadeira. Ele reflete sobre as palavras, difere conhecimento de informação, discuti sobre o tempo e sobre o trabalho. Ao longo do texto ele te exprime a sensação de que o homem contemporâneo é raso e superficial quanto ao que lhe toca sobre aprendizado, evolução e junção de experiências.
b) O homem e seus símbolos (Carl Jung)
Me aproximei desse material primeiro através de artigos que seguidores da psicologia de Jung dispuseram na internet, até que adquiri o livro. Já estou nessa leitura a uns meses, o livro tem bastante informação e é um grande ensinamento sobre símbolos, tradução dos sonhos, mitologia pessoal, relação com o inconsciente, história da humanidade, rituais, tribos, o primitivo do mundo e do homem e bastante cultura. Ainda não conclui o livro, porém é um estudo constante que tenho avançado e incorporado quanto artista e ser.
6. Para dar fim ao juízo de Deus (Teatro Oficina - Zé Celso)
Trata-se de um texto artaudiano, o Zé inclusive montou esse texto acho que em esquema radiofônico nos anos setenta se eu não me engano e retornou esse ano com o espetáculo. Assisti o trabalho no Teatro da Caixa, e considero o espaço não tão proveniente à misticidade do espetáculo. O teatro era bonitinho demais. Porém, o trabalho de audiovisual é bem interessante com projeções de momentos simultâneos mas que em cena, não tem a atenção do público. Cria-se um jogo poético a partir daí. É bastante ritualístico, as músicas são bem desconstruídas quanto à palavra e isso me instiga muito. Palavras desconstruídas, ritmos africanos, samba, tensões, a trilha em si é fantástica. Senti apenas que o trabalho de coro ficou um pouco defasado por questões de estranhamento do espaço. Me pareceu que eles sentiram bem a diferença do Teatro da Caixa pro underground do Teatro Oficina, principalmente porque o coro se relacionava bastante com o público em ações animalescas que não couberam tanto talvez à forma com que o público estava posicionado. Distanciou um pouco a relação na verdade, entre plateia e atores.
7. Vou falar sobre a minha participação no espetáculo Entre Quartos, do Grupo Tripé, o qual sou integrante.
O processo já acontecia a quase um ano entre os três outros integrantes. Vivências, trocas de ideias, experimentações e etc já rolavam, quando se deram conta da necessidade e o próprio querer dos mesmos em se ter música ao vivo. A principio chego ao grupo como músico convidado, nós apresentamos alguns fragmentos do processo em edições do Cometa Cenas. Até a primeira apresentação profissional num teatro, foram dois anos de processo e auto direção do grupo onde concluímos dramaturgia, as músicas foram entrando a medida que se tinha a necessidade (no caso algumas, outras eu já havia composto, bastou escolher mesmo), e por fim éramos quatro personagens em cena. A peça se desenvolvia em dois planos. Um dos planos era os três morando juntos num apartamento, desenrolando a trajetória amorosa desses personagens. O outro plano era o meu personagem se recordando de suas lembranças (no caso, eles) dentro desse mesmo apartamento pronto para se mudar, num último momento de curtição do lugar. Tocando músicas e percebendo coisas do seu passado e a reflexão sobre o amor, a peça vai sendo costurada entre os planos até que as lembranças encaram o próprio ser que as tem, e vice-versa. O processo foi bem gostoso, bem cheio de amor, em busca de se construir maturidade, pois o grupo se deu junto com o próprio primeiro espetáculo. Então tivemos a sensação de germinarmos nosso primeiro filho. Eu pude aprender muito com eles, que já faziam teatro desde antes e eles comigo no sentido musical. Enfim, a troca foi generosa e de lá até aqui já apresentamos outras vezes o espetáculo e no fim nos rendeu um bom produto que nos orgulha completamente.
8. Acredito na potência de grandes grupos, a fortificação do coro, um trabalho musical bem focado e construído. Elementos de audiovisual e iluminação pertinentes, onde se possa elevar a realidade apresentada ao público. Me atém muito o grito político, mas também a comédia e o questionamento do ser. Acredito no teatro transcendental, onde a mensagem realmente chegue a quem assiste, a quem presencia o acontecimento de forma "experiencial" e questionadora. Atribuiria totalmente elementos circenses, a estética clown e acrobacias. Ao mesmo tempo que gosto da linguagem, do texto, gosto da desconstrução do mesmo, e permitir que a poética seja dita com o corpo, algo similar ao Teatro Físico; simbologia e desenhos no espaço.
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